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ADMIRÁVEL PORTUGAL PÓS-MODERNO – um post light

O cenário do 25 de Abril de 1974 é de pobreza, miséria e desemprego. O analfabetismo reina entre a população que procura na emigração uma forma de melhorar as condições de vida. Totalitarismo e repressão são força vigente ao que se soma treze anos de guerra colonial que colocam o país num isolamento internacional, alvo de forte pressão externa.
Marcelo Caetano substitui no poder um Salazar incapacitado por motivos de saúde, mas apesar de umas ténues tentativas de liberalizar o regime o rumo mantém-se.
E depois do adeus é a senha para um golpe militar concertado pelo Movimento das Forças Armadas que derruba o governo de Marcelo Caetano e depõe o Presidente da República, Américo Tomás. O povo sai à rua juntando-se aos soldados, são distribuídos cravos vermelhos consumando-se a “Revolução dos Cravos”. Estamos todos vivos, quase todos vivos.
Grita-se liberdade, igualdade, fraternidade! O sonho mais pujante que nunca, a Paz, o Pão, Habitação, Saúde, Educação.
Portugal entra num período de grandes transformações, mas o mundo gira mais depressa que a nossa Lusitânia e drásticos desenvolvimentos na tecnologia, na produção da riqueza, na socialização, na vida política e quotidiana vão condicionar o sonho de Abril.
O pós modernismo, um conceito ou movimento ainda hoje enublado, irrompe avassalador chegando a tudo e a todos. Diz-me o que consomes, dir-te-ei quem tu és é a nova religião hedónica.
O fenómeno da globalização com a sua lógica de mercado neoliberal trará implicações permanentes à organização social e aos indivíduos.
Assiste-se a uma avassaladora concentração do capital e do poder, ao aprofundamento da competitividade, à confusão dos espíritos e à diminuição do poder do Estado.
O consumo agiganta-se à produção, emerge um novo homem individualista, narcisista, fugitivo ao conceito de classe social, antes identificando-se com organismos mais confinados, grupos sociais minoritários.
Este já não é um mundo de produção, proletariado, revolução, mas um lugar de sedução, digital, hiper-informação.
A avidez do consumo personalizado tem nos shoppings catedrais prazenteiras de bens e serviços.
História, Deus, Arte, Consciência Social, Desenvolvimento pouco contam para este homem niilista que se interessa por tudo e não se compromete com nada.
Foi pois este turbilhão que se atravessou no nosso caminho.
A nossa democracia é ainda um bebé de fralda.
O nosso Portugal tem um Presidente eleito com 38% de abstenção, um Governo Maioritário eleito com 35% de abstenção, Europeias com 61% de abstenção, um sistema judicial asfixiado, listas de espera na saúde que nem os incentivos conseguem colocar fim, instrução a crescer exponencialmente a par de uma iliteracia galopante, famílias endividadas e novos fluxos de emigrantes.
A pergunta a colocar não é a que repetimos entre copos e camaradas, onde estavas tu no 25 de Abril?, mas,
o que estamos dispostos a fazer pelo 25 de Abril?
