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por Carlos Filipe
Nos últimos anos a expressão realidade virtual deixou de causar o olhar de soslaio que originava no início dos anos 80.
Remetendo para um universo não real, o virtual sempre existiu nas lengalengas, nos contos, nos livros, nas peças de teatro que colocam em contacto com uma dimensão muitas vezes imaginada e que por isso mesmo não existe fora da imaginação.
A tecnologia em tempos mais recentes tratou de baralhar e voltar a dar virtual e real, confundindo e estreitando dimensões, o que obriga a um particular cuidado no sentido de não serem criadas confusões, por sinal bem reais, ainda que no mundo virtual, mas com claras consequências no real.
Confuso? Talvez não.
Hoje o virtual passa pela agência bancária, pelo supermercado, pela livraria que “vivem” para lá da imaginação, da ficção, apesar de fisicamente não existirem, ainda que permitam de forma muito concreta interacção com o mundo real ao ponto de recebermos os produtos que escolhemos virtualmente através duma qualquer aplicação informática no conforto do lar.
Um exemplo corriqueiro deste entrelaçar de realidades e do perigo da confusão de identidades real/virtual, são os agora frequentes emails de phishing, virtualmente representando entidades bancárias e que quando os mais incautos fornecem dados pessoais, constatam o desaparecimento bem real de muitos euros das contas bancárias.
No plano pessoal, esta dicotomia é exponenciada e não raras vezes é frequente encontrar personagens virtuais que estão muito para além dos criadores de carne e osso. Na montra da Internet, nas inúmeras redes sociais que continuam a crescer, abundam perfis para todos os gostos. E aqui claro, toda a gente mostra o que de melhor tem. São mais altos, mais fortes, mais inteligentes, mais bem sucedidos profissionalmente. Alguns chegam a ter super poderes, outros primam pela simplicidade extrema.
Nesta exposição virtual, de uma forma ou de outra, os excluídos de grupos sociais reais, conseguem por copy and paste, ou recorrendo ao photoshop, estar incluídos, inseridos em redes sociais que por vezes tem por único ponto de contacto isso mesmo, o cabelo ruivo.
O exemplo contrário também é esclarecedor.
Jaron Lanier o pioneiro da expressão, “realidade virtual”, cientista computacional, visionário tecnológico, músico e escritor, alertava em 2006 no ensaio DIGITAL MAOISM, que apesar de só ter realizado um filme experimental mostrado apenas uma vez num festival e que se sentiria muito mais confortável se nunca mais ninguém visse a obra, estava referenciado na Wikipédia como um realizador.
Segundo Lanier não ser realizador no mundo real era fácil, mas no universo alternativo, sempre que corrigia o registo, no espaço de um dia voltava a desempenhar a actividade, introduzida por alguém.
Curiosamente ou não, os repórteres que o entrevistavam perguntavam pela carreira como realizador.
Daqui decorre que as personagens virtuais reflectem bem mais do que os seres reais que lhes servem de sustento. São um acrescento difícil de aquilatar mas que é necessário acautelar. Tomar estas criações por reais tem já dado resultados catastróficos como se sabe.
O mesmo acontece quando se comenta um blogue. Libertos das restrições do mundo real, é fácil os dedos se deixarem embalar por este ser virtual que se agiganta no apontar, indo muito além do que resultaria de um olhos nos olhos.
Na Nazaré virtual e real parecem ter-se fundido num só, o resultado está num blogue. Esperemos que também aqui a separação seja clara para todos.

Post Sciptum – Afinal, parece que de Zé Tafofóbico todos, mas todos, literalmente todos, sem excepção temos alguma coisa.

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