Vítor Gaspar está a anunciar aos portugueses mais austeridade. Esta receita que pela Europa fora tem obtido resultados comuns, aumento do desemprego, crescimento quase nulo e continuação do incumprimento do défice orçamental previsto pelos governos, tem recolhido também a unanimidade dos eleitores europeus. Pela Europa fora, Hungria,Reino Unido, Holanda, República Checa, Irlanda, Finlândia, Portugal, Dinamarca, Espanha, Grécia, Eslovénia, Itália?, Eslováquia, Roménia, França, viram nas urnas a austeridade ser intencionalmente derrotada, provocando uma mudança dos partidos no poder, varrendo esquerda, centro e direita.
Apesar das eleições, no entanto, aparentemente o povo deixou de ser quem mais ordena.
Em Portugal não ouvimos nenhum português dizer que votou no resgate e apoio da banca. Poucos se declaram favoráveis à diminuição das pensões, ao desregulamento das actividades comerciais e do trabalho, ao congelamento e diminuição de salários, ao aumento dos impostos.
Ainda assim, acautelar os mercados e as instituições financeiras é palavra de ordem do governo e os portugueses já perceberam que não vão ter as políticas que desejam, mas as ditadas pela eficiência do mercado, isto se quiserem voltar a ele.
Na passada sexta feira na Assembleia Municipal da Nazaré, foi votada favoravelmente a concessão do serviço municipal de águas e saneamento básico a entidades privadas por um prazo de 30 anos. O mercado como melhor defesa para o mercado foi o ponto de ordem de quem votou favoravelmente.
Hoje na mesma Assembleia, será votada a adesão e candidatura ao programa de apoio à economia local. Estas duas decisões de cariz financeiro com implicações até 30 anos não foram sufragadas pelos nazarenos.
A segunda, se for hoje aprovada, ao contemplar um aumento dos serviços de água, saneamento e resíduos sólidos urbanos para os valores máximos da recomendação da Ersar, deitará nesse momento por terra o sustentáculo da concessão.
Nenhum nazareno votou em qualquer delas. Nenhum nazareno disse sim ou não à concessão do estacionamento cuja intenção foi já anunciada. Nenhum nazareno se pronunciou contra ou favor da aparente continuada retirada da autarquia da gestão da coisa pública.
O peso do voto dos nazarenos está claramente diminuído.
A continuar a delegação de competências e a aprovação de medidas que limitam a governação autárquica, nas próximas eleições os nazarenos vão eleger o primeiro Não Presidente Nazareno.

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