Acabada a festa do réveillon, este ano mais inclinada, mais elitista, mais segregadora, mais a norte que nunca, com mazelas que inevitavelmente ouviremos falar (só de Setembro a Dezembro do ano passado fecharam na zona de influência do desaparecido palco central, cinco estabelecimentos), as atenções viraram-se já para a “febre mais bonita” da nossa vila, o Carnaval mais Nazareno de Portugal.
Em verdadeiro ano de crise, o cenário perspectiva-se pior do que o ano passado em que fecharam doze empresas por dia no país, todos os eventos que tragam visitantes à Nazaré e respectivas receitas deixaram de ser balões de oxigénio e passaram a ser providenciais.
A passagem de ano inclina desde sempre a terra a norte, mas em ano de contenção de despesas e redução de palcos, a autarquia fez uma aposta clara no aumento de privilégios e vincou a estratégia de não contribuir para um comércio justo.
Li no correio da manhã o nosso Presidente definir em três os visitantes da passagem de ano: “os que vêm só para assistir ao fogo de artificio, os que pernoitam por cá e os que aproveitam a diversão pela noite fora.” Ironicamente, esta classificação é perfeita para definir o comércio situado no centro da festa, o areal e a avenida marginal, segundo notícia o mesmo jornal – Uns, ao sul, assistem; outros, ao centro, pernoitam; e ano após ano, ao norte, aproveitam pelas noites fora.
Da reunião que tive com a Acisn, por sinal no mesmo dia em que o assunto foi discutido na Rádio Nazaré, percebi que a associação está sensibilizada para o problema e partilha da mesma perspectiva. Está talvez na hora dos associados chamarem a si parte activa da animação que claramente lhes interessa. Só dessa forma passaremos pela crise como oportunidade e não fatalidade, garantido justiça de oportunidades. No que me toca, já várias vezes demonstrei junto da Nazaré Qualifica a vontade de ajudar a patrocinar a festa, sendo que me constituo como o único a mostrar essa disponibilidade, segundo a empresa municipal. Resultados práticos? Este ano retiraram o palco curiosamente antes chamado de central, o que claramente prejudicou copiosamente toda a zona centro.
Fica no ar a interrogação se este é o modelo encontrado pela comissão de avaliação da passagem de ano.
Com mágoas ainda por carpir, estamos já sintonizados no Carnaval.
Talvez esteja no hora de avançarmos também aqui para uma comissão.
É que importa reflectir sobre a uniformização de horários, em função claro, da procura das pessoas. Salas de baile e bares parecem concorrer não pelos foliões, como os mais distraídos possam pensar, mas pelas funções. Como a banda carnavalesca Troikas & Balhedroikas faz questão de tornar claro, as salas de baile são cada vez mais bares em ponto grande. A par disto ocorre outro fenómeno curioso. Os tradicionais bailes (bares?) preferem retirar-se da exploração dos bares das suas salas, e em seu lugar encontramos os bares que, já fecharam por imposição de horário. Desconcertante no mínimo.
Mudar é pois necessário, afim de com a crise para uns não seja pu pescoce e outros andem aos gambozinos ao saco.

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