A aprovação em assembleia municipal do orçamento para 2011 trouxe sinais novos para o plano político que permitem leituras interessantes para além das evidentes considerações económica/financeiras.
Já muito se escreveu e mais foi dito sobre a surpreendente aliança dos “recém vereadores” ao Presidente do executivo camarário nazareno. Na passada quarta-feira o Eng Jorge Barroso esclareceu mais uma vez para quem ainda não tivesse percebido, que os três autarcas a quem o partido socialista retirou a confiança política viram finalmente a Luz.
O voto a favor na primeira pessoa do documento orçamental do psd em reunião de executivo, a par de uma declaração de voto onde se reforça a lealdade, apanhou a sociedade civil no mínimo desprevenida, não pelo sentido de voto, mas pela redução de muita argumentação contrária (se quisermos ser minimalistas, atentemos só às declarações públicas feitas àcerca do mesmo documento no ano passado), a ruído, como também o próprio Eng. Jorge Barroso por mais de uma vez teve oportunidade de publicamente adjectivar.
Em termos práticos, a abstenção resultaria em precisamente o mesmo. Os dois vereadores eleitos pelo psd aprovariam o documento e com exactamente a mesma declaração de voto, a mensagem transmitida seria completamente diferente, mas a solidariedade manter-se-ia a mesma. Alguém faz interpretação diversa? É evidente que sim.
Existe também se quisermos, uma consequência interessante que emana da aprovação do orçamento para 2011. É importante notar a ausência quer do arquitecto Salvador quer do advogado Belmiro na reunião de assembleia municipal que aprovou a previsão da receita e despesa da autarquia. Sobre este sinal, versaremos quando for ainda mais clara a mensagem.
Importa além disto e porque os nazarenos estavam curiosos, perceber como reagiu o partido socialista.
Depois de um passado recente onde foram tornadas públicas algumas divergências internas, desta vez o ps disse a uma voz, não. O orçamento em termos de orientação política é no entender da comissão política uma mera continuação, leitura que fez também o grupo parlamentar que votou em unanimidade contra e que motivou um comunicado conjunto à imprensa.
Fácil seria escrever que a estrutura partidária está finalmente unida num rumo comum. Não será assim tão rosa o cenário, mas a verdade é que com esta tomada de posição, de alguma forma todos se comprometeram publicamente a não deixar fechar a porta da aproximação que acaba de ser aberta à medida das várias sensibilidades.
Veremos o que nos trará o difícil ano novo que se avizinha, muitas surpresas teremos ainda guardadas por certo no panorama político local e parece não ser problemático arriscar uma previsão. A seu tempo, necessariamente mais longo que curto e apesar de haver quem convictamente e com toda a autoridade afirme “a natureza não dá saltos”, a poliploidia exercerá a irresistível acção na política nazarena.

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