“The wave was beyond my expectation. I knew it was powerful and big, but I did not realize until after I rode the waves the power that is held within the canyon. It is possibly the most powerful wave I have ever experienced…”
@ Garret McNamara

Em 2008, a Quicksilver, líder do mercado de produtos relacionados com o surf, facturou cerca de 13 milhões de euros em Portugal. No total, o mercado no nosso país movimenta entre 30 a 40 milhões de euros por ano.
Se pensarmos em termos globais, esta modalidade representa um volume de negócio calculado em 11 milhares de milhões de euros, sendo que o mercado europeu encaixou 1,48 milhares de milhões de euros (à data de 2006).
No estudo “hypercluster da economia do mar“, o surf é descrito como uma actividade com “um elevado crescimento e uma maior procura por parte dos segmentos de elevado nível socio-económico cada vez mais associado a consumos complementares”.
Expostas de uma forma breve as coisas assim, é caso para exclamar, -Temos Mar à Pinoca!
Atenta, a Nazaré Qualifica (NQ), tem ultimamente vincado a aposta em eventos de promoção das praias do concelho para a prática dos desportos de ondas. A natureza presenteou-nos com a riqueza da costa e foi mais generosa ainda nesta perspectiva com o world class spot, ainda virgem, que são as ondas da Praia do Norte.
Este mês, numa boa aposta diferenciada, a NQ trouxe à Nazaré um Senhor do surf, na perspectiva de organizar em 2012 um campeonato mundial de ondas grandes, que, a acontecer, será o primeiro na Europa.
Não nos fiquemos pela ideia redutora de estarmos a pagar férias a um surfista. Publicações nacionais, internacionais, tempo de antena na rádio e televisão, já conseguidos, são só “miúdos”, face tão grande potencial. Ancorada em Garret McNamara, a Praia do Norte e o “North Canyon”, começaram a ser divulgados e comentados em todo o mundo.
Temos pois aqui o que pode ser um impacto muito interessante para a economia local centrado na prática do surf. Peniche aqui ao lado e a Ericeira, já se colocaram ao caminho há mais tempo.
Mas não se pense que o mais difícil está feito. Falta consolidar e sedimentar estratégia (que se percebe mais lata), fundamentalmente no que à comunidade diz respeito.
Até aqui tivemos apenas o levantar do véu.
O grande desafio está em sensibilizar os empresários locais para a necessidade da envolvência. O calcanhar de Aquiles continua a ser a dificuldade do município em dialogar com as empresas nazarenas que na esmagadora maioria apresentam duas características, empresas familiares e de risco. E é também aqui que uma enorme mudança tem que acontecer.
O Município tem que fazer uma mudança de paradigma. De Município empregador tem que obrigatoriamente passar a município catalisador.
Arrisco da segurança do teclado sugerir um gabinete de apoio ao empresário. Um gabinete que numa terra pequena trate os empregadores por tu, que adopte uma abordagem de proximidade, que vá com os técnicos ao encontro dos proprietários nos próprios estabelecimentos se for caso disso, que receba e encaminhe jovens licenciados com ideias novas. Alguns considerarão ingenuidade, desconhecimento, afinal já existem entidades com esse tipo de competências. Quase que estariamos a furar as leis da concorrência. Verdade, mas do outro lado, da maneira de fazer em vigor que resultados temos? Queremos o tipo de sinergia que teve o tecnocrata FINICIA? Continuaremos a acenar com canas, enquanto o pescador definha sem perceber a necessidade da isca certa? Deixaremos o mercado regular-se por si?
É importante dizer à Nazaré e aos Nazarenos a mais valia que pode ser a escola de surf e bodyboard. A necessidade do Carsurf acabado e em pleno funcionamento. O retorno monetário directo que os surfistas podem dar em visita ou competição, que depende do número de dias que ficam, do tipo de acomodações a que recorrem, das lojas de surf que visitam.
É da mesma forma fundamental perceber que em termos turísticos, restaurantes, bares, agências de viagens, comércio e serviços todos podem beneficiar e delineando estratégia, podem em conjunto potenciar a atração do “Canhão do Norte” e quem sabe, conseguir nas ondas uma nova fonte de receita que tão necessária é para as nossas gentes.

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