O conceito de paradoxo é multifacetado e pode ir desde a ideia de contradição até a uma verdade invertida para chamar a atenção. Colocado de uma maneira simples, temos paradoxos que vão contra o senso comum e paradoxos que exprimem uma contradição lógica. Em ambos os casos podem constituir-se como ferramentas preciosas.
Na primeira forma denotam o carácter singular de um facto ou conclusão, obrigando por vezes a uma revisão de ideias. Na segunda, são inaceitáveis para a lógica que tenta colocá-los a descoberto, servindo para colocar a nú armadilhas de retórica.
O início do ano lectivo na Nazaré, em particular no nosso Agrupamento de Escolas, encerra também alguns pequenos paradoxos que importa não perder de vista.
Atentemos a dois casos que parecem interessantes.
Começando pelos Centros Escolares definidos na Carta Educativa do Concelho para suprir os edifícios à data de 2006 já desaptados e acolher os primeiros alunos no início do ano lectivo de 2008/2009, há a garantia que em Famalicão e Nazaré o arranque será no decorrer deste ano, existindo a certeza de pelo menos alguma mudança para os novos equipamentos no início do ano lectivo 2011/2012.
A contradição lógica parece evidente. Estamos pois na presença de um paradoxo de lógica, de uma armadilha de retórica. Vários raciocínios são possíveis. Se a Carta Educativa define para 2008/2009, não pode haver garantia para 2009/2010. Por outro lado, se existe certeza da mudança para o Centro Escolar da Nazaré em 2010/2011, não se pode referir a garantia a 2009/2011. Desconcertante, não é? Para quem quiser uma linha de rumo uma sugestão retirada da Carta Educativa – os nossos alunos continuam a ter aulas em “edifícios estruturalmente desadaptados até em termos de higiene e conforto”.
A reunião que todos os anos acontece antes do retomar das aulas entre professor titular e encarregados de educação correu de forma perfeitamente normal este ano. Já não se estranha o facto de um e outros não estarem informados de quem serão os professores que vão leccionar as Actividades de Enriquecimento Curricular (o concurso foi público 3 dias depois da reunião).
Cumprida a profecia Carepiana -“todos muito bons”, como comprova a avaliação feita pela Drel ao funcionamento no ano lectivo passado, na Pederneira para o Muito Bom contribuímos com alunos a “navegar” na internet e assistirem a filmes de terror nas aulas de TIC, aulas dadas numa sala exígua, húmida e com três computadores para 22 alunos. Tivemos um coro de gritos (discentes e docente) ao longo de todo o ano no Ensino da Música e avaliação final das aecs não assinada por Professor Titular tal a discórdia do que era reportado.
Um claro paradoxo de senso, existem aqui singularidades que intrigam. Talvez para aclarar o Muito Bom devamos recorrer ao quadro de Valor e Mérito do nosso agrupamento de escolas e perceber que de entre a “nata” dos nossos alunos aconteceram negativas nos exames nacionais do terceiro ciclo do ensino básico. Paradoxal?
Os paradoxos estão sempre contextualmente ligados ao seu tempo, permitem-nos chocar com nós próprios, surpreendermo-nos, colocar em causa e implementar mudança.
Os paradoxos estão ai.

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