Christian WolffJá todos experienciámos a mudança de agudo para grave no som do motor de um carro que em velocidade passa por nós. Se pensarmos numa ambulância com a sirene ligada e nas mesmas condições, todos já sentimos o mesmo fenómeno que Johann Doppler descreveu em 1842.
Foi precisamente esta mudança que foi percepcionada na passada sexta-feira quando o bólide do executivo municipal nos deixou a todos com uma vibração curiosa nos tímpanos.
Se viajarmos sete meses no tempo à data das últimas eleições autárquicas, percebemos que da vereação eleita pelos socialistas que receberá agora pelouros de acordo com as competências, vinha um “vazio de ideias“, consubstanciadas em “medidas avulso de duvidoso resultado prático e muitas inexiquivéis“, apresentadas num cartaz na forma de “travestismo” havendo de tudo, “PS, ex-PS agora independentes, CDU, ex-futuro BE ou futuro ex-BE, …, independentes dos independentes.“.
Já antes no mesmo blogue do PSD Nazaré tinha sido escrito, “Com esta oposição, torna-se muito dificil fazer um trabalho melhor do que tem sido feito, não existem verdadeiras alternativas, existem sim vaidades pessoais levadas por diante sem cuidar de saber se contêm nelas próprias as soluções que os habitantes do Concelho da Nazaré desejam.
Assim é difícil.
“.
Do outro lado o campo também é fértil, mas uma afirmação do Vereador Vítor Esgaio em relação à governação do Eng Jorge Barroso é esclarecedora quanto baste, “A câmara devia dar-se ao respeito“.
Mais do que pensar no passado, importa apontar ao futuro e perceber o presente. É verdade que na política os adversários de ontem são os aliados de amanhã. Da mesma forma se percebe que a tempos particularmente difíceis se deve responder com soluções especialmente engenhosas.
O que falta explicar aos nazarenos tão atónitos com esta mudança, são as qualidades e mais valias agora reconhecidas pela maioria, ao mesmo tempo que quem recebe pelouros, deveria talvez esclarecer quais são, que liberdade de acção perspectivam, que capacidade decisória e claro, que tipo de compromisso foi assumido com o Presidente do Executivo.
Eu gosto de pensar que esta plataforma de “entendimento” tem por trás a melhor das intenções e poderia de facto de alguma forma ser uma mais valia para o concelho. Não podemos é não olhar ao timing do anúncio e ao carácter evasivo das justificações.
Deixar o efeito marginal, os cafés e as explanadas conjecturarem ácerca das motivações é um risco que parte do ruído ocupacional e segue em crescendo. Apesar de tudo, temos que estar preparados para ser surpreendidos positivamente na política.
E já que de política estamos a versar, na Nazaré, o nosso Edil é um mestre a quem se deve tirar o chapéu. Seria fácil justificar esta sentença remetendo para a longevidade aos comandos da autarquia. Mas quem estiver de alguma forma atento, percebe que mais uma vez o Eng Jorge Barroso prova que apesar de afastado do Ensino, continua a dar lições a quem as quiser aprender. E na boa tradição dos docentes, acabámos de assistir, ou talvez não, à Última Lição. Uma lição que se reveste sempre de um carácter pedagógico particularmente interessante.
Desta vez a aula incidiu sobre a subtileza da disciplina na sala de aula. O método não é novo, mas alguém pode contestar a tremenda eficácia da medida? O melhor aluno que por algum motivo dá indícios de distracção é “corrigido”, fazendo-se uma observação dirigida aos alunos das últimas cadeiras, normalmente mais fracos – Meninos, façam pouco barulho e sentem-se direitos!

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