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Na tentativa de perceber a melhor alternativa para a liderança da Comissão Política Concelhia do PS da Nazaré é fundamental começar por fazer um exercício de purga. Purgar uma atitude corriqueira instituída consubstanciada no “diz que disse”. Parece que aqui na vila ainda não se percebeu que o “diz” define melhor quem diz, do que o “disse” de quem é visado. Desta forma, quem recorre ao “diz que disse”, aparenta esquecer ou desconhecer, não é crível, que dá mais informação da sua postura, da sua forma de estar, da sua conduta, do que de qualquer atributo que queira apontar a quem visa, logo desacreditado no “diz que disse” contrário.
Depois desta purificação, filtramos o digo horrores de ti dizes cataclismos de mim e finalmente importa absorver a informação que nos chega no sentido de sermos o mínimo parciais possível.
Dois candidatos se perfilam. São ambos conhecidos e estimados na Nazaré, pelo que é importante perceber as razões das candidaturas.
Walter Chicharro declarou na Rádio Nazaré que após o último acto eleitoral para a Concelhia, cresceram os apoios, as solicitações, vincadamente depois do resultado do partido nas autárquicas. João Murraças declarou no mesmo órgão que nunca tinha imaginado estar nesta condição, mas foi chamado a unir o partido, nomeadamente Isabel Vigia, Ricardo Caneco e Vítor Esgaio.
Entre o assumir das duas candidaturas distou aproximadamente um mês e duas não é uma porque a união esbarrou num único obstáculo, numa condição única, a capitulação de Walter Chicharro o primeiro a avançar.
“Por um PS com futuro” anima a iniciativa de Chicharro, “Unir o PS, construir o futuro” alenta o objectivo de Murraças.
Em Janeiro Walter propôs de uma maneira geral “reactivar a juventude socialista, abrir o partido à sociedade civil, realizar fóruns de debate e análise”, “estreitar contactos com associações, clubes, empresários e empresas”, “o funcionamento dos órgãos internos”, “um PS com voz, activo, com ideias, e com capacidade para gerir os destinos da Nazaré”.
João aposta em “reactivar a juventude socialista”, “devolver o partido à comunidade nazarena”, “promover debates e fóruns”, “o trabalho conjunto e continuado com os autarcas eleitos pelo PS”, “unir o partido, promover a sua confiança e a auto-estima e apresentar-se perante a população como uma força política que se possa confiar”.
João Murraças acrescenta ainda que intenta “promover a formação de quadros autárquicos”, Walter Chicharro nessa matéria já deu o primeiro passo, foi por sua iniciativa que a formação “GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO NAS FREGUESIAS”, organizada pela federação distrital de Leiria e pela Fundação Res Publica se realizou na Nazaré no dia 16 de Janeiro.
Chicharro aceitou o convite da Rádio Nazaré para se realizar um debate, Murraças declinou, impossibilitando o que poderia ser o momento destas eleições internas. Desta forma ouviremos dois monólogos ao invés de uma esclarecedora troca de ideias que por certo diria muito além dos programas eleitorais. Aqui o João não é o primeiro, não tivesse Churchill afirmado “The biggest argument against democracy is a five minute discussion with the average voter”.
Concluindo, parece pois que, e não se esgotando evidentemente as propostas dos candidatos no que foi citado, as grandes diferenças no que está em cima da mesa neste momento não se encontram no que ambos se propõem a fazer. Verdadeiramente, qualquer cibernauta recorrendo ao copy and paste e um pouco de photoshop, transforma rapidamente o “Por um PS com futuro” no “Unir o PS, construir o futuro”. No entanto, uma marca vinca as duas candidaturas, um modo de fazer que sobressai claramente das semelhanças e se constitui como uma diferença fundamental. Temos um claro PS de acção a ir a votos com um evidente PS de reacção.
A uma semana das eleições esta diferença constitui-se como uma pedra de toque fundamental. Vão os militantes votar num partido que age ou num partido que reage?