
O tratado de Lisboa assinado na capital portuguesa em 2007 não conseguiu desvanecer a ideia de uma União Europeia (UE) a pelo menos dois conceitos. O primeiro existente na cabeça dos lideres políticos que idealiza um bloco económico-militar capaz de influenciar a cena política mundial, e um segundo que graça entre os “cidadãos” europeus apontando quase exclusivamente a identificação à União com o facto de poder circular livremente pelo território.
Esta dicotomia congénita, este conceito de união plural, tem reflexos estruturais que têm impedido a Europa de se afirmar para o exterior como uma potência no que toca às grandes questões mundiais.
Atentemos por exemplo à liderança.
Com o Tratado de Lisboa veio a figura do Presidente da UE. O Presidente devia de uma forma clara servir como o farol orientador das grandes opções externas assim como da visão unificada para o mundo, sendo ao mesmo tempo o garante da eficácia da prossecução e implementação das várias medidas nesse sentido. A confusão surge quando este papel de liderança é dividido por mais quatro figuras, o Presidente da Comissão Europeia, o Presidente do Parlamento Europeu, A Presidência rotativa da UE e finalmente a Alta Representante para a Política Externa comunitária.
Se juntarmos a este emaranhado a tradicional posição dos diferentes Estados de perseguir interesses nacionais próprios antes do interesse de um bloco, não é difícil perceber que temos uma União Europeia virada para dentro.
Um caso pragmático pode ser apontado.
A cimeira das Nações Unidas em Copenhaga na Dinamarca aparentava ter reunidas as condições para um sucesso com repercussões ao nível internacional marcando uma reviravolta mundial no papel “apagado” que a UE tem desempenhado. Só que após ter dado o exemplo no que toca à implementação de várias medidas no sentido de mudar a politica climática do mundo, no momento da verdade e quando reinava a indecisão e a ameaça do abandono do encontro por parte de alguns países, o suspeito do costume entrou em campo e foi Obama que permitiu que o acordo fosse conseguido.
O que parecia reunir condições para ser um sucesso, acabou numa quase “humilhação” caseira.
A UE continua assim adiada do grande xadrez mundial enquanto jogador global, unificado, influente. Uma potência que parece adormecida nas próprias indecisões. Por enquanto, uma União Europeia para claro consumo interno.

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