
Os casos recentes de bullying e cyberbullying parecem de alguma forma ter conduzido à proposta que a Confap apresentou ontem ao Ministério da Educação no âmbito da revisão do Estatuto do Aluno, propondo multas pecuniárias e no limite percas de apoio social por parte das famílias cujos alunos sejam autores de comportamentos violentos.
Este tipo de responsabilização que Albino Almeida preconiza, parece ser o “canto do cisne” da Educação. É ao mesmo tempo um encolher de ombros face a uma deterioração contínua do Ensino em Portugal.
Não conseguindo motivar e chamar as famílias a acompanhar educandos, quanto mais a participação enquanto comunidade educativa, pague-se, e se caso disso for, corte-se no rendimento de inserção social, que curiosamente tem esse propósito e ilusão nobre de garantir um mínimo que permita o limiar da recuperação dos indivíduos para a cidadania. Neste ponto em particular o presidente da Confap colherá muito apoio.
Culpa minha, ainda tenho a visão romântica que na Educação, na Instrução e Formação dos cidadãos assenta um futuro melhor para todos nós, como se provas fossem necessárias do perigo desta crença.
Culpa maior, gosto de acreditar que alunos violentos tendem a ser “vitimas” de famílias destruturadas, problemáticas, disfuncionais e ou, claro, de degradação económica.
Nesta linha crer que penalização pecuniária ou serviço civil significa responsabilização familiar é uma relação causa efeito em que não alinho.
A Confap acerta quando argumenta “Os paradigmas sociais e familiares mudaram e com eles novas formas de comportamentos e de atitudes surgem todos os dias”, mas falha na solução preconizada.
Por cá o nosso “A Escola e a Família de Mãos Dadas”, não confrontado com casos graves de violência, não está imune a alunos indisciplinados, a balburdia nos refeitórios/cantinas, a encarregados ausentes apesar das cartas registadas com aviso de recepção, a desafios à autoridade dos professores. Ainda assim, alguém pensa que o caminho se faz com multas?
Alguém acredita que uma Família se estrutura e recupera para a Escola com castigos?

4 comentários
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05/03/2010 às 9:58 pm
re21
Famílias?, Pais?, os putos são despejados a partir dos três anos em jardins de infância até serem despejados nas escolas, de manhã à noite.Querem que os putos se portem bem? como? se um Professor chama um Pai à Escola para denunciar um comportamento mais violento por parte de um miúdo sujeita-se a levar é um sova ali à frente de toda a gente, cheio de herois está o mundo…
05/03/2010 às 7:47 pm
ZipZip
Se os pais derem uns tabefes no filho, lá vêem as assistentes socias levantar um processo aos pais por maus tratos’ Isto, para mim é coisa mais absurda que alguma vez li. Então o estado não deixa os pais educar os filhos á maneira deles, e depois culpa-os de serem violentos? Onde está a coerência disto? Porque vão os pais ameaçarem professores quando estes dão uma palmada num aluno? Se retiraram poderes educacionais aos pais e professores, então o estado que assuma a responsabilidade e pague as multas. Ambos não servem para educar, mas para serem penalizados já servem. Que raio de treta esta. Muitos dos que aprovam esta aberração, são os mesmos pais que á mínima queixinha do filho, vão pedir satisfações aos professores.
05/03/2010 às 7:44 pm
Costa
Responsabilidade total dos pais e das Escolas que, sabendo bem o que se passa, nada fazem… Claro que há falta de pessoal, dos chamados agentes educativos. Alguns não têm qualquer formação e, sabendo muito bem como reagem alguns pais, nem sequer abrem a boca… Não querem aborrecimentos, ganham mal, nem no quadro estão,… etc, etc. Mas quem está à frente da Escola é responsável, quem é Ministro/a da Educação tem a chamada responsabilidade objectiva! Portanto é preciso pôr cobro a este estado de coisas.
Os pais devem e têm que ser responsabilizados. E como, muitas vezes, não aceitam regras, ou são arrogantes, imaginando que sabem tudo, concordo que haja multas, por ser a única linguagem que entendem, bem como a sua criminalização pela violência dos filhos. E já é TARDE!!! O sr. Procurador Geral da República disse há dois anos que este assunto era prioritário, porque se estavam a criar delinquentes! E é mesmo assim ! Qualquer psicologo o sabe muito bem.
05/03/2010 às 5:11 pm
C@necão
Deveríamos começar por multar a Confap por se lembrar de uma coisa dessas.
Agora já não há crianças com o “biche carapintêre”. Sofrem de hiperactividade. Precisam de psicólogos e apoio permanente e tal. Precisam é daquilo que eu precisei na altura certa: um par de estalos bem assente para ver se me portava bem! E ainda por cima, com a orelha bem agarradinha pela minha mãe, lá tinha de ir pedir desculpa pelo “bullying” que fiz… Também fui vítima desse bullying que deus tem. Quem não foi? Quem não “bullyou”? É certo que o “Os paradigmas sociais e familiares mudaram”, que os pais estão cada vez mais alheados da vida dos seus filhos. Mas não estaremos a exagerar? Como fizemos com a gripe A? Com a gripe das aves, com tudo e mais alguma coisa? Talvez diga isto por ainda não ter filhos. Mas tenho um sobrinho que foi malhado por 3 colegas e continuam amigos. Tem tudo a ver com a reacção com que abordámos o problema em casa. Como o acarinhámos e dissemos que todos passámos por isso. Que ele iria esquecer e até jogaria à bola com eles apesar de ele veeementemente negar! E que para a próxima… bem, que procure dar mais e apanhar menos! É a vida, meus caros. Quem disse que isto é fácil?