
E se fosse no agrupamento de escolas da Nazaré? Como reagiriam os alunos, os encarregados de educação, o gabinete de apoio à sexualidade (GAS), o corpo docente, o director, a comunidade educativa?
O incidente ocorrido na Escola Básica 2,3 Sá Couto, de Espinho, evidentemente extremo, que até teve o condão de mostrar o barómetro dos alunos a funcionar, coloca a descoberto para lá de um professor desajustado, em todas as profissões há profissionais deslocados (tentemos ser comedidos, naquela situação a docente estava, no mínimo, claramente transtornada), mais importante, a inaptidão da Escola para lidar com as questões da sexualidade.
Este problema é recorrente, identificado e com soluções “envergonhadas”. Sim temos os GAS, é verdade que os programas já vão abordando a sexualidade, leia-se aparelho reprodutor, mas cada estabelecimento de ensino anda um pouco a seu belo prazer, não havendo concertação nacional, formação especifica e um instrumento avaliador da qualidade do que se vai fazendo.
Ao acrescentar a este estado de coisas a distribuição grátis de preservativos e a pílula do dia seguinte (esta última a votar em breve na Assembleia da República), estamos claramente só a juntar mais água ao charco, pouco contribuindo para a transparência da poça.
É que importa mais do que combater a gravidez na adolescência onde nós aparecemos na linha da frente da Europa, informar sobre métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis e fundamentalmente sensibilizar para sentimentos.
Acontece que o sexo é bom e felizmente para nós, a nossa espécie recorre a ele com um fito que vai muito para além da reprodução.
E na solução englobante que havemos de encontrar, terá que estar contemplada a resposta aos nossos medos, à nossa inabilidade de falar pedagogicamente com os nossos filhos, à nossa incapacidade de confiar nos professores e formadores, enfim, à nossa necessidade de sermos educados para a Educação Sexual.
Pode isto ser encontrado na forma de uma lei?

1 comentário
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20/05/2009 às 10:21 am
Paulinha (prof mat)
Não, não é uma lei que muda mentalidades, não é uma lei que muda o constante adiar responsabilidades e passar responsabilidades para o colo dos outros.
Sim fala-se de sexualidade na escola – leia-se aparelho reprodutor, pelo menos desde que eu frequentei o 6ºano ..(1993) o aparelho reprodutor é apenas a parte fisica da sexualidade e ninguem fica ciente de todas as questoes inerentes atraves da aprendizagem de um conjunto de nomes
estáticos
e concordo plenamente quando dizes que ha profissionais desasjustados
e ha muitos professores desajustados, por um cento de razões!!
penso que a educaçao para a sexualidade tem de começar pelos pais.. os pais nao sabem abordar o assunto, eduquemos os pais primeiro…