
Os Portugueses andam uns piegas. Não bastava serem improdutivos, absentistas, dependentes de subsídios, incapazes de gerirem orçamentos familiares, quererem trabalho, saúde, educação, justiça e habitação, para cúmulo, andam numa pieguice pegada.
Os Tugas foram iludidos pelo 25 de Abril. A Democracia enamorou o país e convenceu o povo que a populaça estava em primeiro lugar.
Os Portugueses saíram estes anos todos à rua de braço dado com a Liberdade, convencidos que a união de facto celebrada em 74 era um acasalamento fértil e para a vida. Esqueceram que depois da paixão, a senhora precisava de ser namorada, excitada, fecundada.
Tremoços e fado enfadaram a relação, até porque, o Fado é de todos e o Eusébio já não marca golos a ninguém.
A Democracia aborrecida teve um caso com o Mercado e hoje mercantilista, canta baixinho uma azeda canção de pobreza ao Povo para que o Povo aprenda a salvar Portugal.
Deixa o Mercado trabalhar, cantarola a democracia, rimando com limitação e redução da acção do sector púbico, com desregulamentação, com o mote do corte nos custos sociais e de bem estar, combatendo o cancerígeno Estado Providência e por causa deste, aumentando taxas, impostos e serviços.
A mão invisível do Mercado fará sobressair os mais aptos, mesmo que a democracia saiba bem que os efeitos de mercado geram demasiada desigualdade. Para isso também temos toda uma economia social, que importa?
Assim, o Zé Povinho vai levando a marmita com o almoço para o trabalho como português bem comportadinho, vai olhando de lado para os gregos, esses insurrectos com os quais nada temos que ver, a não ser o facto de sabermos que são uns privilegiados porque tem um salário mínimo superior ao nosso, e vai engolindo em seco quando ao deitar diz boa noite aos filhos que se desligam do facebook com uma última partilha: – Achtung, lassen wir uns nicht täuschen.
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