
O Conselho Geral do Agrupamento de Escolas da Nazaré prepara-se para reflectir sobre a melhor forma de estruturar e implementar a educação sexual nos diversos níveis de ensino.
O diploma publicado no dia 6 de Agosto no Diário da República, parece ter vindo arrepiar caminho a uma componente lectiva que tarda a chegar a consenso e pacificação, como provam os 25 anos que distam da primeira lei publicada nesta matéria, as alterações aos decretos e às linhas orientadoras que se foram verificando, até esta revogação que impõe um carácter de obrigatoriedade no âmbito da educação para a saúde.
Apesar do já longo caminho, parece que um trilho sinuoso espera o concretizar da educação sexual nas nossas escolas.
A começar pelo início, falta regulamentar a lei, o que deveria ter acontecido até 60 dias após a publicação. Esta lacuna deixa no ar questões fundamentais que urgem debelar.
O Ministério da Educação a par da Direcção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular apresentaram propostas de conteúdos mínimos assim como recomendações no que toca às cargas horárias, delegação de competências pelo pessoal docente, articulação com centros de saúde, famílias, comunidade, entre outras.
Falta agora fazer o mais “difícil”, ónus deixado às escolas. Quem vai dar as aulas? Como vão ser dadas? Que professores terão as habilitações e perfis necessários? Que matérias se devem abordar? Como fazer a articulação com as famílias, “espaço emocional privilegiado para o desenvolvimento de atitudes e comportamentos saudáveis na área da sexualidade”, de acordo com o Grupo de Trabalho da Educação Sexual.
Sem regular a lei, falta saber ainda, por exemplo, quando e como vai ser feita a formação aos docentes.
Concluir que muito está por fazer é relativamente fácil. Urge alertar para a necessidade de não deixar os professores sozinhos. Esta é uma matéria que exige uma vez mais o nosso envolvimento. Prepararmo-nos e aos nossos educandos para a educação sexual só pode melhorar as nossas relações humanas. Quem não se inquieta com a banalização do sexo que a toda a hora nos entra por casa nos mais diversos formatos?
Esta não é uma questão fácil, basta reparar na dificuldade de comunicação entre pais e filhos, mesmo crianças de tenras idades, quando abordam o tema do sexo.
Consequência disto temos jovens a aconselhar-se com jovens, a informar desinformação, a cometer erros que todos conhecemos e mais grave, a relativizar afecto, carinho, amor.
É chegada pois a altura de contribuir-mos com a nossa sensibilidade para ultrapassar estas dificuldades. Nós Pais, Encarregados de Educação, Famílias, temos um papel privilegiado e crucial no implementar sereno, ou não, da educação sexual no projecto educativo do agrupamento, sendo que a tarefa não é impossível. Segundo os especialistas há escolas onde a Educação Sexual se faz e bem há anos.
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