Os blogues são um fenómeno incontornável.
Há quem defenda que este formato está a transformar-se no jornalismo da era digital, conseguindo por vezes um rigor e profissionalismo que vai escapando à imprensa tradicional muito susceptível a pressões e influências.
Uma das razões para isto talvez seja a relativa facilidade para manter uma destas publicações virtuais – basta uma ligação à internet e alguma motivação, a informação circula de forma instantânea.
Ainda assim, muitos blogues, senão a maioria, à imagem da própria Rede Global, sujeitos que estão a quem neles versa, acabam muitas vezes por ser mostras de pensamentos e valores individuais, correndo um grande risco de desinformação.
Questões prementes estão associadas à criação e manutenção de um espaço destes, a relação individual com o formato, uma nova forma de cidadania mais participativa, os direitos de autor, a atribulada auto regulação.
Muito se poderia escrever sobre virtudes e defeitos dos blogues, o julgamento deve ser sempre feito em função do uso que cada um individualmente decide dar-lhes.
Na próxima segunda-feira realizar-se-á a primeira blogue conferência nazarena, onde todos os bloggers estão convidados a confrontar os candidatos à Câmara Municipal com questões que entendam pertinentes. Participem.
Blogue conferência na biblioteca municipal
29/09/2009A escola (família) a tempo inteiro
18/09/2009
@ Unicef
Verificou-se na passada segunda-feira o início do novo ano lectivo no agrupamento de escolas da Nazaré.
“A escola e a família de mãos dadas” é o nome do projecto educativo proposto até 2010, um claro apelo à envolvência da família e participação activa na comunidade educativa.
A relação escola família tem vindo a estreitar-se nos últimos tempos, chegando aparentemente a confundir-se por vezes na ideia de todos nós responsabilidades e finalidades de ambas as instituições. Para isto muito contribuiu o fenómeno das famílias ditas modernas. Hoje para lá das famílias “tradicionais”, temos as monoparentais, as adoptivas, as homossexuais, as de recasamento, que acrescentaram novos desafios individuais, relacionais e sociais ao “até que a morte os separe”. Juntando a justa massificação da integração da mulher no mercado de trabalho a partir do segunda Guerra Mundial, é fácil perceber que se foi verificando um ajuste na divisão das tarefas familiares e expectativas novas foram criadas em relação ao papel da escola.
Foi desta demanda social que o conceito da Escola a Tempo Inteiro (ETI) teve a génese.
Defendida veementemente pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), que sugere um funcionamento dos estabelecimentos de ensino de doze horas diárias, a ETI parece assentar na máxima da total ocupação do tempo, de forma escolarizada, estruturada e institucionalizada.
Esta nova visão para o ensino encerra em si dificuldades congénitas, como articular uma componente lectiva curricular obrigatória da responsabilidade directa do Estado, ao mesmo tempo de uma vertente com frequência facultativa, promovida por vezes por várias entidades, visando o enriquecimento curricular.
As dificuldades de implementação deste modelo são conhecidas de todos, os edifícios obsoletos, a retalhada compatibilização de horários, as redes de transportes ineficientes, as lacunas de monitorização, supervisão e apoio a professores, a precariedade do vinculo contratual do corpo docente que vai mudando a cada ano que passa.
Estes problemas em particular experimentaremos oportunamente, importa agora alertar para o papel fundamental de socialização que está a ser perdido para a escola.
O crescimento harmonioso da criança passará necessariamente por um contacto alargado com a família. Os pais devem continuar pois a servir de modelos de comportamento, a incutir regras de relacionamento interpessoal, a contribuir no fundo para uma aprendizagem não formal de importância extrema.
A ETI parece ter vindo para ficar, em breve para lá das AEC que já todos conhecem, ficaremos familiarizados com as Actividades de Apoio à Família. Hoje já temos meninos e meninas que entram na escola às sete e meia da manhã e saem às sete da tarde. As crianças estão de uma maneira geral todas institucionalizadas, no que só pode traduzir-se como uma clara desresponsabilização, ou no mínimo, um encolher de ombros face a mais uma disfunção civilizacional. Muitos pais preferem ter os filhos na escola e uma vez em casa suspiram pela hora de os deitar.
Uma pergunta simples pode servir para perspectivar este “afastamento”, há quanto tempo não vê o seu filho?
De Inglaterra chegam sinais preocupantes de negligência e desresponsabilização associados à “full time school”, que no mínimo nos devem fazer reflectir em conjunto sobre esta nova realidade.
Daniel Sampaio já teve o cuidado de alertar para as vicissitudes desta nova “escola-armazém”.
São pois questões de vital importância que se colocam às famílias, pais e encarregados de educação nazarenos. Que ETI queremos para os nossos educandos? Que contributo estamos dispostos a fazer, apesar dos nossos horários de trabalho, da nossa pouca disponibilidade anímica, para uma participação activa como pais, como encarregados de educação, como famílias, no sentido de darmos as mãos à escola?

Publicado por hermeneuticamente 
Publicado por hermeneuticamente 
Publicado por hermeneuticamente 
