There’s No Business Like Show Business

Está consumada a transferência mais cara de toda a história do desporto rei. O nosso Cristiano Ronaldo vai passar a jogar com as cores do Real Madrid que desembolsou nada mais nada menos do que 93 milhões de euros para assistir ao vivo às diabólicas fintas, dribles, acelerações e golos do craque português.
O salário que o jogador vai auferir, de acordo com a imprensa, é de tal ordem blasfemo face à conjuntura económica mundial que não me atrevo a mencioná-lo. Seriam necessários cerca de cinquenta e seis salários mínimos nacionais para chegar ao valor que o agora galáctico recebe no final de cada dia. De outra forma, ao fim do mês, serão nada mais nada menos do que 1222 salários mínimos portugueses.
Muitas divagações poderiam ser tecidas aqui. Como faz um clube com um passivo da ordem dos quinhentos milhões de euros investimentos destes montantes? A soma da verba despendida com Kaká e Ronaldo ascende aos 161 milhões de euros e parece que ainda existem 139 milhões para gastar segundo o presidente dos merengues. Conseguirá Cristiano justificar “57 vezes o seu peso em ouro”?
Mas estas considerações nem chegam a ser picadas de mosquito quando toca ao mundo do espectáculo.
Este é, apesar das tentativas de justificação por parte de Florentino Pérez, um exemplo fantástico da disfunção civilizacional que o mundo padece.
Breve e sucintamente, muitos dos 3.62 milhões de desempregados contabilizados no final de Maio em Espanha serão provavelmente os primeiros a renovar a subscrição da televisão paga, ao mesmo tempo que irão assim que conseguirem emprego, abrir a sua conta no Bes.
Mas nós já sabemos como é, The Show Must Go On.
Ah, já agora, estamos a viver a primeira pandemia do século XXI, o Platini teme pelo fair play financeiro e Ronaldo festejou com Paris Hilton.