Da redifinição de excelência

05/11/2008

“Se todos puderem ser excelentes, o que está errado é a definição de excelência”. Esta afirmação foi proferida pelo secretário de Estado adjunto da Educação, Jorge Pedreira a propósito da fixação de quotas para a avaliação dos docentes. Por certo que Jorge Pedreira não tem conhecimento nem se referia ao carácter de qualidade excepcional que norteia as Actividades de Enriquecimento Curricular no concelho da nazaré.

Aqui, passados 46 dias do início do ano lectivo, foi possivel numa reunião muito aguardada conhecer alguns dos professores em exercicio. Os encarregados de educação puderam perceber que apesar da panóplia de processo administrativos a ultrapassar, por sinal particularmente complicados neste concelho, ainda que as matriculas se façam tardissimo – a três dias da primeira aula, mesmo que os concursos de professores se arrastem estoica e incrivelmente até às duas da manhã e os resultados sejam públicos a dois dias de começaram as aulas, denotando não uma manifesta inépcia por parte da entidade promotora, mas uma corrida contra adversidades, os professores contratados “todos ou quase todos a tempo e horas” são “todos muito bons”.

Ficámos esclarecidos que “interessam actividades que sejam uma mais valia para todos” e “não interessa que estas actividades existam se não forem mais valias”, ainda que se saiba “que há cadeiras pelo ar e portas a bater”.

Soubemos da existência de “planificação feita para as AEC, que temos de em conjunto tentar melhorar”, mesmo que essa planificação ainda não tenha em conta os planos curriculares de turma, nem que tenha sido explicado que tipo de trabalho se anda a desenvolver e pasme-se, após mais de uma dezena de aulas, no agrupamento ainda se desconhecer que andam estes docentes a promover com os alunos.

Compreendemos que existe uma coordenadora dos professores  que substitui docentes, mas que não informa encarregados, agrupamento e por sinal, nem quem “gere a problemática das AEC”.

Ficou claro enfim,  que “há competências da câmara e outras que não da câmara”, sendo que “a gestão administrativa tende a aproximar a câmara do agrupamento”. Mais, a reforçar este bom entendimento que se deseja entre as partes, existe “uma boa relação institucional e pessoal” entre Presidente do município e Presidente do concelho executivo.

Nós encarregados de educação, olhamos com alguma preocupação para esta forma de muito bom. Pensamos que muito bom não alinha com tantas peripécias. Muito bom não pode significar dar conhecimento aos pais das planificações das AEC ainda para meados de Novembro.

Estamos empenhados em perceber de forma clara qual o impacto que uma medida com um potencial tão profícuo está a ter nos professores titulares, nos alunos, nos encarregados, na comunidade educativa.

Assim possa “a mancha cinzenta onde as coisas são dificeis de definir”, ser substancialmente aclarada, por forma a que os espiritos serenem e se deixem inspirar, evitando-se erros de palmatória. Afirmar-se que as AEC “não são extra-curriculares são de enriquecimento curricular”, e nos horários facultados pelo município aos pais vir discriminado no cabeçalho “ano lectivo 2008/2009, horários extra curricular”.