
Há dias enquanto tomávamos uma das nossas doses diárias de cafeína, trocávamos ideias acerca da intrigante natureza do cógito. A capacidade da matéria ter consciência de si e de incrivelmente se questionar, ainda que assente em estruturas físicas bem conhecidas, por meio de processos químicos e eléctricos identificados, remete para um desconcertante e desafiador quase epifenómeno da mente e da consciência.
Uma dimensão, a mente, dentro de uma realidade, o cérebro. Esta dicotomia é assaz interessante e sem esforço maior pode ser encontrada em mais lugares ao nosso redor, estando nós atentos.
Acontece quando somos assoberbados pela vista de uma montanha no estado selvagem, quando deparamos com lugares onde vivemos primeiros amores, quando voltamos à nossa Nazaré e contemplamos a marginal e o promontório. Subitamente somos mais pequenos, um sentimento de grandeza toma conta de nós e somos remetidos para uma realidade que está para além da natureza física apreendida pelos nossos sentidos.
Esta realidade curiosamente não depende individualmente de cada um. A impressão que remete para algo de mais grandioso já cá estava muito antes de nós, continua e vai perdurar, o que na minha perspectiva indica algum tipo de unicidade.
Mesmo com todo o nosso apego urbano ao racional, ao científico, é de alguma forma possível deixar uma porta não fechada a esta unicidade. Não será a porta e nós próprios constituídos das mesmas unidades básicas da matéria? Não é da natureza dos átomos ligar a outros átomos?
Já reflectiram alguma vez os caros leitores sobre a ideia de na nossa constituição estarem os átomos que já “pertenceram” a outra pessoa, a um animal, a uma outra coisa qualquer?
Quando menino não me lembro de nada em relação à morte à excepção de uma frase que, li ou ouvi, não consigo precisar.
“Começamos a envelhecer quando os nossos conhecidos começam a falecer”.
A verdade é que também com a idade, por vezes a morte aparece como motivo de reflexão.
No passado fim de semana dei os sentimentos a duas famílias pela morte de parentes. A caminho de casa reflectia nas campas maioritariamente brancas do cemitério. Por mim, sei que estão num lugar melhor.
Num lugar melhor
08/02/2010“We may be through with the past, but the past ain’t through with us.”
06/02/2010In the New York Herald, November 26, year 1911, there is an account of the hanging of three men. They died for the murder of Sir Edmund William Godfrey; Husband, Father, Pharmacist and all around gentle-man resident of: Greenberry Hill, London. He was murdered by three vagrants whose motive was simple robbery. They were identified as: Joseph Green, Stanley Berry, and Daniel Hill. Green, Berry, Hill. And I Would Like To Think This was Only A Matter Of Chance.
As reported in the Reno Gazette, June of 1983 there is the story of a fire, the water that it took to contain the fire, and a scuba diver named Delmer Darion. Employee of the Peppermill Hotel and Casino, Reno, Nevada. Engaged as a blackjack dealer. Well liked and well regarded as a physical, recreational and sporting sort, Delmer’s true passion was for the lake. As reported by the coroner, Delmer died of a heart attack somewhere between the lake and the tree. A most curious side note is the suicide the next day of Craig Hansen. Volunteer firefighter, estranged father of four and a poor tendency to drink. Mr. Hansen was the pilot of the plane that quite accidentally lifted Delmer Darion out of the water. Added to this, Mr. Hansen’s tortured life met before with Delmer Darion just two nights previous. The weight of the guilt and the measure of coincidence so large, Craig Hansen took his life. And I Am Trying To Think This Was All Only A Matter Of Chance.
The tale told at a 1961 awards dinner for the American Association Of Forensic Science by Dr. Donald Harper, president of the association, began with a simple suicide attempt. Seventeen-year-old Sydney Barringer. In the city of Los Angeles on March 23, 1958. The coroner ruled that the unsuccessful suicide had suddenly become a successful homicide. To explain: The suicide was confirmed by a note, left in the breast pocket of Sydney Barringer. At the same time young Sydney stood on the ledge of this nine-story building, an argument swelled three stories below. The neighbors heard, as they usually did, the arguing of the tenants and it was not uncommon for them to threaten each other with a shotgun, or one of the many handguns kept in the house. And when the shotgun accidentaly went off, Sydney just happend to pass. Added to this, the two tenants turned out to be: Faye and Arthur Barringer. Sydney’s mother and Sydney’s father. When confronted with the charge, which took some figuring out for the officers on the scene of the crime, Faye Barringer swore that she did not know that the gun was loaded. A young boy who lived in the building, sometimes a visitor and friend to Sydney Barringer, said that he had seen, six days prior, the loading of the shotgun. It seems that the arguing and the fighting and all of the violence was far too much for Sydney Barringer, and knowing his mother and father’s tendency to fight, he decided to do something. Sydney Barringer jumps from the ninth floor rooftop. His parents argue three stories below. Her accidental shotgun blast hits Sydney in the stomach as he passes the arguing sixth-floor window. He is killed instantly but continues to fall, only to find, three stories below, a safety net installed three days prior for a set of window washers that would have broken his fall and saved his life if not for the hole in his stomach. So Faye Barringer was charged with the murder of her son, and Sydney Barringer noted as an accomplice in his own death. And it is in the humble opinion of this narrator that this is not just “Something That Happened.” This cannot be “One of Those Things…” This, please, cannot be that. And for what I would like to say, I can’t. This Was Not Just A Matter Of Chance.
@ Magnolia
É fundamental construir o futuro, não sustentar o passado.
“Alunos, professores, pais, ministério, autarquias… somos todos Escola”
01/02/2010
A Escola tem assumido um papel fundamental na sensibilização e consciencialização ambiental das nossas crianças. Reduzir, reutilizar e reciclar são três palavras que muito cedo entram no vocabulário de qualquer aluno em Portugal, constituindo-se eles próprios, não raramente, uma ajuda vital na educação de amigos, pais, famílias.
As crianças tornam-se assim multiplicadores e agentes de transformação, levando da escola, além do conteúdo pedagógico, ideias criativas que se convertem em atitudes pela redução do desperdício, o reaproveitamento dos materiais e a preservação dos recursos.
Esta forma de em ambiente escolar se promover uma mudança no sentido de criar hábitos sadios e responsáveis em relação ao ambiente não é estranha ao nosso Agrupamento de Escolas. Na EB1 da Pederneira em particular, pessoal docente e não docente contribuem de forma activa e empenhada para na medida do possível estimularem a separação do lixo.
Prova disto, é um contentor azul cheio com o respectivo papel e papelão a cada duas semanas.
A par de todos os potenciais benefícios já referidos, esta acção é também um exemplo para o resto da generalidade da população que segundo o encarregado da recolha, teima em não aderir à separação do lixo doméstico, mesmo que resida a duzentos metros de um ecoponto, o que obriga a ter uma viatura em actividade só para o Papelão e Papel.
Acontece que este empenho escolar tem deslizado no decorrer do último ano lectivo prolongando-se neste, na dificuldade de se conseguir esvaziar o contentor em tempo útil. Vários contactos telefónicos e uma recente tentativa pessoal de sensibilização do encarregado municipal por parte dos encarregados de educação, resultaram numa promessa de recolha quinzenal ainda sem cumprimento.
Fica assim aqui mais um apelo para o acerto do que parece apenas ser uma questão de pormenor, mas que continua por afinar. É que no que toca a educação ambiental, somos todos Escola.
Porque a Nazaré não é uma ilha
28/01/2010Média conjunta dos exames de português e matemática
Fonte: Sic/Expresso
O ranking de escolas que todos os anos tem sido elaborado e divulgado pelos órgãos de comunicação social com base nos resultados de exames nacionais divulgados pelo Ministério da Educação, está longe de ser um instrumento consensual de avaliação da qualidade de ensino dos estabelecimentos.
A verdade é que uma classificação assente neste único pressuposto, para lá das distorções proporcionadas pelo próprio sistema – um aluno matriculado e a frequentar as aulas, na eventualidade de não conseguir aceder ao exame em função das notas, pode auto propor-se passando a contar como aluno externo – está deficitária de um leque de variáveis que terão necessariamente de ser levadas em conta para se chegar a uma enumeração mais justa e rigorosa.
Ainda assim, emanam alguns sinais dos números que importam identificar, não descurar e tentar perceber, por forma a que se tirem ilações preciosas.
Ignorando pois lugares de ranking, notemos que no que toca ao ensino básico, chegada a altura dos exames nacionais do 9º ano, apesar da propalada e mediatizada diminuição da dificuldade, a média de resultados do nosso concelho nos últimos três anos continua a ter dificuldades em atingir valores positivos.
A avaliação externa feita em 2008 ao Agrupamento de Escolas da Nazaré pela equipa da Inspecção Geral da Educação, no que toca a este item apontou o que se lê no gráfico e já na altura tinham começado a ser implementadas medidas no sentido de melhorar as notas.
Falta de assiduidade generalizada, fracas expectativas e pouca valorização das aprendizagens por parte de ambos, alunos e famílias, constam no relatório de Fevereiro de 2008 que vai, evidentemente, muito para além de resultados académicos.
Estranhamente, ou talvez não, é relatada uma relação inversa entre participação de Encarregado de Educação na Escola e grau de ensino. Assim o que começa por ser uma relação de proximidade muito forte nos primeiros anos de escolaridade, acaba por se desvanecer ao longo do percurso escolar.
Proximidade parece pois um excelente ponto de partida para inverter os fracos resultados que a generalidade dos nossos alunos apresentam. Proximidade e participação.
E aqui todos devemos e podemos contribuir. Curiosamente até a Internet nos pode trazer mais ao perto. Colocar a Carta Educativa do Concelho, as actas do Conselho Municipal da Educação, as actas do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas da Nazaré – tudo o resto o Agrupamento já disponibiliza – à distância de um clic, pode ser uma forma de dar início a uma discussão mais profunda, noutro lugar, entre todos, no sentido de congregar energias para melhorar sempre o panorama educativo da Nazaré.
É que nós temos a tendência de ver a nossa terra como uma ilha. Temos o Carnaval mais nazareno, a Praia mais típica, o Templo Visigótico mais antigo!?, afinal não há Terra como a Praia nem Sítio como a Pederneira, e é verdade, tudo verdade e com muito prazer.
Mas os nossos alunos concorrem não entre eles, não com os outros alunos de Leiria, de Portugal, da Europa, mas do Mundo.
E por vezes, as ilhas servem como factor de cristalização de comportamentos, redundando num sinónimo de isolamento.
Porque não pegar no “mote” dado pelo governo que colocou a Educação nas Grandes Opções do Plano para 2010-2013 e munidos de todas as nossas idiossincrasias aproximarmo-nos desta ideia?
Já agora, e no que toca ao ensino secundário?
Prét-à-Porter
27/01/2010
10% a menos ao fim do mês no salário foi o que decidiram os autarcas eleitos e nomeados da Câmara Municipal da Vidigueira, com o intuito de ajudar ao aumento do vencimento dos funcionários que recebem o salário mínimo nacional.
A medida serviu ainda para desafiar a classe politica nacional a seguir o exemplo alentejano.
Este é um desafio que dificilmente colherá, uma vez que, da mesma forma que vinca o espírito solidário das gentes alentejanas, não pode servir para rotular de menos solidário quem nesta fase tão difícil não está disposto a abdicar de parte do salário.
Importa no entanto deixar no ar esta medida de excepção, até porque como explicou Manuel Narra, o aumento do rendimento dos trabalhadores não podia comprometer o equilíbrio orçamental.
Uma forma singular de qualificar e responsabilizar trabalhadores atendendo a rigor orçamental.
Depois do que disse Soares dos Santos, querem ver que a moda pega?
(Des)Humano, demasiado (des)Humano
16/01/2010“O difícil não é a gente ter boas ideias. Nem falar delas. Difícil mesmo é encontrar alguém, especial, que as ouça. No entanto, pior do que não ter a quem contar o que a gente sente, é contar o que a gente sente a quem não sente o que a gente conta. É doloroso. É o diabo.” – Uili Bergamin
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Sem Água nem Comida,
Sem Saúde,
Sem Educação,
Sem Dignidade,
Sem mitigar a Dor de 13 de Novembro de 2008,
dos Filhos perdidos na Escola que ruiu
Só porque estava mal construída,
Sem Esperança,
Sem Futuro,
Sem Família perdida no terramoto de Terça-Feira,
Jazes ferido por entre escombros,
Perdes a Consciência,
Sem perceber que é (Des)Humano, demasiado (Des)Humano.
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Publicado por hermeneuticamente 



